Washington, 30 out (RV) - No próximo 02 de novembro, os bispos dos Estados Unidos e do México celebrarão a Santa Missa na fronteira entre os dois países. O gesto já se repete há alguns anos. Os altares estarão separados por uma cerca provisória que dará espaço a um muro de mil e duzentos quilômetros. No lado americano e no mexicano, os bispos celebrarão a missa de maneira simultânea, para pedir pela paz e pela não construção do muro.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush autorizou o levantamento do muro na fronteira, o que motivou uma onda de protestos, tanto nos meios políticos como na Igreja Católica de ambos os países.
Os bispos dos Estados Unidos, encabeçados pelo presidente da Conferência Episcopal, dom William Skylstad, enviaram, há poucos dias, uma carta ao presidente Bush pedindo-lhe para vetar a lei que autorizaria o muro fronteiriço.
Dom Skylstad disse que os bispos dos Estados Unidos se opõem a esta legislação "porque cremos que pode conduzir à morte de imigrantes que tentam ingressar nos Estados Unidos e a um aumento dos casos de violência relacionada ao contrabando".
Num editorial do site da Conferência Episcopal Mexicana, se considera que a lei assinada pelo presidente Bush. "Um muro, _ diz o editorial _, não é a solução para o problema da imigração ilegal". E concluiu sustentando que "a melhor forma de proteger as fronteiras é através da promoção de um profunda reforma migratória, fruto de um trabalho em conjunto das autoridades do México e dos Estados Unidos, e não através da construção de um muro de fronteira".
Dom Ascencio León, presidente da Comissão Episcopal para a Mobilidade Humana da Conferência Mexicana e, recentemente nomeado pelo Papa Bento XVI membro do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Imigrantes e Itinerantes, afirmou que "fazer um muro é afastar o convívio das pessoas e das sociedades que, por sua natureza, não possuem fronteiras, é separar famílias que vivem nos dois países, é atentar contra os direitos humanos". (CE)
Fonte: radiovaticana.org
O presidente George W. Bush "criminalizou" a imigração ao aprovar nesta quinta-feira o muro na fronteira com o México, afirmou a Anistia Internacional.
O muro, com o qual os Estados Unidos tentarão frear o fluxo de imigrantes ilegais, "criminaliza a imigração e é um retrocesso em termos de direitos humanos", afirmou Alfonso García, coordenador de cabildeo da Anistia Internacional no México.
"Desde que se anunciou esta medida a Anistia Internacional se pronunciou contra porque fere o artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos referente ao livre trânsito das pessoas", afirmou.
Trata-se de uma sistema que combina trechos de muro de concreto com valas de alambrados, o mais longo do mundo em termos de limite entre dois países: cobrirá precisamente 1.132 km da fronteira (de um total de 3.141 km), em cinco trechos, que unirão nove seções mais curtas já existentes na fronteira sul do país.
O maior trecho da nova obra se estenderá entre as cidades de Douglas, no Arizona, e Calexico, na Califórnia, cobrindo 500 km. Em seguida outro trecho de 345 km se situará entre as cidades texanas de Nuevo Laredo e Brownsville.
Também serão instalados 150 km entre as cidades de Columbus (Nova México) e El Paso (Texas), e outros 105 km entre Del Río e Eagle Pass (Texas).
O trecho mais curto, de 32 km, levará a barreira de Tecate (Califórnia) até o Pacífico.
Especialistas calculam que o custo do projeto ficará entre 6 e 8 bilhões de dólares, embora muitos arrisquem que a obra superará o orçamento inicial. Até o momento, Bush só autorizou 1,2 bilhão de dólares para financiar a obra.
Não há cifras oficiais sobre o número de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos, mas, o Pew Hispanic Center, chega a 12 milhões de pessoas.
Em 2005, as autoridades americanas prenderam mais de um milhão de ilegais que tentavam entrar nos Estados Unidos, segundo cifras comunicadas por Michael Chertoff, chefe do Departamento de Segurança Interna (DHS).
No mesmo ano, 445 imigrantes morreram ao tentar cruzar a fronteira ilegalmente, segundo a chancelaria mexicana.
No decorrer de 2006, cifras oficiais mexicanas calculam em 472 o número de mortos.
A fronteira entre os dois países é uma das mais transitadas do mundo e todos os anos mais de 300 milhões de pessoas a cruzam num ou no outro sentido, segundo estatísticas da Casa Branca.
Fonte: gazetaonline.com.br
"Lápide" é a tradução do nome desta cidade com ruas de areia que apresenta a mais autêntica arquitetura do fim do século XVIII. É um distrito histórico do Arizona que atrai centenas de turistas que querem ver de perto os verdadeiros caubóis americanos daqueles tempos.

"Tolerância zero com os irregulares" avisam vários cartazes pregados em diversos lugares da cidade, uma das poucas nos Estados Unidos onde não se vê latinos trabalhando.
Foi aqui, a 350 km ao sudeste de Phoenix, que decidiu se instalar Chris Simcox, um dos fundadores do "corpo de defesa Minuteman" cuja missão é "colaborar com as autoridades para caçar imigrantes ilegais".
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, Simcox abandonou sua vida em Los Angeles, Califórnia, atordoado com a ameaça terrorista que pesava contra seu país. Foi para Tombstone, onde trabalhou no jornal local.
"O movimento Minuteman faz um trabalho fantástico", afirmou à AFP em Tucson Randy Graf, candidato republicano a uma cadeira na Câmara dos Representantes.
Outros não concordam, como Phil Patika, um detetive aposentado de 48 anos.
"Eles são como a patrulha das fronteiras. A solução é fechar hermeticamente a fronteira, em todas as partas", diz este caubói com dois revólveres na cintura, chapéu de couro e botas.
"Não gosto de trabalhar com os mexicanos, porque tenho que sempre vigiá-los. São eles que fazem entrar a droga", afirma.
Don Marshall é outro aposentado que possui um rancho em Tombstone a poucos quilômetros da fronteira mexicana, onde não há muros, apenas "os homens da patrulha das fronteiras e os minutemen". "É um problema sem solução", lamenta, resignado.
Vestido de preto e com dois Colt 45 na cintura "para atirar nos cascavéis", Marshall não simpatiza com os políticos de Washington mas acredita que Randy Graf, da ala mais radical dos republicanos "poderia ser uma solução".
"Não concordo com nada do que falam esses políticos de Washington, eles não sabem de nada, não vieram até aqui para analisar o problema. O muro não é a solução", denuncia, criticando os minutemen que qualifica de "ineficientes".
"Os mexicanos trabalham mas não pagam impostos, e têm escola grátis. Entre eles, há muitos traficantes e estupradores", concorda a maioria dos moradores entrevistados pela AFP nos bares e restaurantes das vielas, que constituem um cenário que dá a impressão de que se pode presenciar um duelo a qualquer momento, no mais puro estilo "velho oeste" .
A paisagem de cactos e de formações desérticas é impressionante, e pode ser um dos motivos pelos quais Marshall, Patika e Simcox se instalaram aqui. Outra razão é a coincidência de opiniões sobre a imigração, a patrulha das fronteiras, o presidente George W. Bush e os políticos de Washington.
Em Tombstone, imortalizada como uma terra sem lei pelos filmes de bangue-bangue, a bandeira de Arizona aparece mais que a dos Estados Unidos. Como nos tempos do velho oeste, os estrangeiros não são bem-vindos por lá.
Fonte: terra.com.br
O presidente americano George W. Bush sancionou a lei que prevê a construção de uma barreira de cerca de 1,1 mil km na fronteira entre os Estados Unidos e o México.
Os que apóiam a lei nos Estados Unidos afirmam a barreira seria importante para
lidar com o problema da imigração ilegal.

Mas o presidente mexicano, Vicente Fox, chegou a comparar a barreira ao Muro de Berlim e vários países da América Central também são contra.
Confira abaixo os principais pontos da polêmica que envolve a construção do muro entre Estados Unidos e México.
O que afirma a lei do muro?
A lei determina a construção de uma barreira dupla de cerca de 1,1 mil km fechando parte dos 3,3 mil km da fronteira entre Estados Unidos e México.
Ela foi aprovada no dia 14 de setembro de 2006 pela Câmara dos Representantes e, no dia 29 do mesmo mês, pelo Senado, sem nenhuma modificação.
Por fim, no dia 26 de outubro, o presidente George W. Bush a sancionou.
Analistas chamaram a lei de lei "casca de ovo", pois ela não inclui verbas para a construção do muro.
Quanto vai custar a barreira?
Os republicanos afirmam que o custo ficará acima de US$ 2 bilhões.
Os democratas, por sua vez, garantem que o muro terá um custo de US$ 7 bilhões, levando em conta informações do Departamento de Segurança Interna, que fez o cálculo de quanto custaria a construção da barreira dupla por cada milha (1,6 km).
De onde podem sair as verbas para a construção?
O muro poderia ser financiado com a Lei de Concessão de Orçamento Federal para o Departamento de Segurança Nacional relativa ao ano fiscal de 2007.
Esta lei foi promulgada por George W. Bush no dia quatro de outubro de 2006. A assinatura dela gerou confusão com a lei do muro, que ainda não tinha sido promulgada.
Esta lei de concessão inclui mais de US$ 33 bilhões para programas de segurança, dos quais US$ 1,2 bilhão "podem" ser destinados para a construção do muro ou para outras medidas de segurança na fronteira.
Por que um muro deve ser construído na fronteira?
Para os críticos o muro servirá para "tapar o sol com a peneira". O muro vai cobrir apenas um terço da fronteira com o México.
Atualmente, apenas 120 km da fronteira estão demarcados, com cercas.
Apesar de ser "vendido" como um projeto que protegerá os Estados Unidos, ele não prevê a construção de uma barreira entre Estados Unidos e o Canadá.
Apesar de não se colocarem em acordo, as duas partes do debate insistem na necessidade de uma solução para o problema, já que o fluxo migratório aparenta continuar crescendo.
Segundo o Instituto de Política Migratória, o gasto dos Estados Unidos com o controle fronteiriço cresceu dos US$ 700 milhões em 1986 para cerca de US$ 3 bilhões em 2006.
Mas estes dólares não ajudaram a parar a imigração ilegal, segundo dados do mesmo instituto, já que o número de imigrantes ilegais crescreu de quatro milhões (em 1986) para os cerca de 12 milhões atuais.
Qual é a posição da Casa Branca?
O presidente George W. Bush queria uma reforma muito mais ampla nas leis de imigração, que incluía a legalização dos 12 milhões que estão sem documentação regularizada e que vivem no país.
Mas a ala conservadora de seu partido qualificou a legalização de anistia a pessoas que desrespeitaram a lei (ao entrar ilegalmente no país). O presidente nunca conseguiu que o Congresso, com maioria republicana, se colocasse de acordo para aprovar uma reforma nas leis de imigração.
Qual é o impacto humano que deve ter a barreira?
Se o muro for construído, as rotas que ainda ficarão abertas provavelmente serão apenas as mais perigosas. Com isso, os casos de mortes poderão aumentar.
Segundo a patrulha de fronteira americana, em 2005, 460 imigrantes morreram tentando ir para os Estados Unidos, o que superou o recorde de 2000, com 383 mortos. Estes números não são considerados completamente precisos.
Além disso, uma investigação do Centro de Investigação Pew mostra que quase 50% dos imigrantes sem documentos não entram nos Estados Unidos ilegalmente pelas fronteiras, mas com vistos de turistas ou de trabalho temporário.
A medida tem algum teor político?
Para muitos analistas, não há dúvidas de que se trata de uma medida eleitoral. Os republicanos querem mostrar mão-de-ferro para resolver o problema da imigração ilegal.
Mas não eles foram os únicos. Alguns democratas (incluindo a ex-primeira dama Hillary Clinton, potencial candidata à Presidência americana em 2008) também apoiaram a lei do muro.
Fonte: bbcbrasil.com.br
O radialista Elias Bermudez, que apresenta em Phoenix o programa "La Voz del Imigrante", que conta com milhares de ouvintes latinos no Arizona, se define como um conservador e é filiado ao Partido Republicano, mas nas eleições do próximo dia 7 de novembro está convocando seus ouvintes a votar nos democratas.
"É um voto de castigo. O partido foi seqüestrado por um grupo com uma plataforma antiimigrante. Por isso, estamos fazendo uma campanha para registrar imigrantes latinos e pedindo que hispânicos convençam amigos ou conhecidos a votar nos democratas", afirma.
Bermudez veio do México para os Estados Unidos, em 1967. Na ocasião, ele próprio também era um imigrante ilegal. Após ter se tornado um próspero empresário, o radialista se filiou ao Partido Republicano, que, segundo ele, é o que está mais próximo de sua ideologia.
"Sou conservador em termos morais e religiosos. E não acredito que o Estado seja o melhor agente de transformação social, precisamos construir nosso próprio destino."
Greve geral
Após as eleições, Bermudez pretende ir além. Ele está convocando para o próximo dia 12 de dezembro uma "greve geral" de latinos, para persuadir o Congresso a aprovar uma legislação criando vistos de emprego para que imigrantes possam trabalhar livremente nos EUA.
No passado, o radialista já participou de iniciativas semelhantes. No dia 1 de maio deste ano, ele foi um dos organizadores da campanha "Um Dia Sem Imigrantes", que conseguiu fazer com que 700 mil hispânicos deixassem de comparecer ao trabalho em todos os EUA.
Greve de fome
Agora, ele quer que o movimento ganhe a adesão de alguns dos milhões de imigrantes sem documentação que existem nos EUA --estima-se que existam ao menos 12 milhões em todo o país. Para tentar persuadi-los a aderir ao seu protesto, Bermudez irá também fazer uma greve de fome de sete dias.
"A idéia do protesto é mostrar ao povo americano que os imigrantes estão aqui não para fazer turismo, mas para trabalhar, muitas vezes arriscando suas vidas no deserto. Se muitos acham que não precisam da mão de obra imigrante, iremos mostrar o contrário, fazendo com que funcionários de restaurantes, da indústria agrícola e da indústria de construção deixem de ir trabalhar."
No ano passado, quando 700 mil imigrantes deixaram de ir ao trabalho, Bermudez conta ter recebido telefonemas de empresas de construção que disseram ter perdido US$ 3 bilhões.
"Eu respondi que se fosse mandar funcionários da imigração até a sede deles, eles perderiam US$ 10 milhões, já que muitos dos funcionários da construção são imigrantes sem documentação. Eu mesmo preciso contratar cerca de 15 funcionários e não consigo, porque todos que se candidatam ao cargo são ilegais. Por isso, é necessário criar um programa de vistos de trabalho."
Prestação de serviços
Além de suas atividades como radialista, Bermudez também dirige um centro que presta serviços de assessoria a imigrantes sobre seus direitos. No Centro de Ayuda, situado no centro de Phoenix, ele oferece assessoria jurídica e tira dúvidas de imigrantes a respeito de temas como tributação e moradia, além de oferecer serviços de tradução.
Agora, uma das missões do centro passou a ser também a de registrar eleitores. Muitos já estão até votando antecipadamente, algo que é permitido pela lei americana. Nesta semana, o mexicano Valentín López compareceu ao centro e de lá preencheu e enviou sua cédula eleitoral.
"Vou votar nos democratas. Os republicanos têm idéias que não são boas para os imigrantes, a começar pela construção do muro (na fronteira entre os Estados Unidos e o México). É algo muito feio e triste", afirma.
Bermudez acredita que sua campanha pró-democratas terá sucesso, graças, em parte, ao desgaste enfrentado pelos republicanos. "Há muitos fatores a nosso favor, como a guerra no Iraque e os vários escândalos envolvendo republicanos no Congresso".
Apoio
O radialista conta que já registrou 3.000 eleitores hispânicos e segue fazendo campanha em supermercados e igrejas, persuadindo hispânicos aptos a votar a comparecer às urnas no dia 7 de novembro.
"Estamos confiantes de que os políticos antiimigração irão perder. E se não perderem, irão tomar, ao menos, um grande susto."
Mas Bermudez diz que, independentemente do resultado do pleito, irá dar continuidade a seu projeto de paralisação geral de latinos.
"A eleição não põe fim às nossas atividades. Precisamos convencer o Congresso a aprovar um programa de vistos de trabalho, que dê ao imigrante plenas condições de emprego e assegure seus direitos trabalhistas.
O povo americano ainda não entendeu qual é nossa participação na economia americana. Se não acham que deveríamos estar aqui, vamos parar de trabalhar e parar de consumir por uma semana. Assim, conseguiremos fazer com que pessoas mudem de idéia."
Fonte: folhaonline.com.br
A maioria dos norte-americanos ouvidos numa sondagem divulgada quarta-feira pela CNN opõe-se à construção de uma barreira dupla ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México
O estudo foi divulgado na véspera do acto formal de assinatura, pelo presidente George W. Bush, da lei que autoriza aquele projecto.
De acordo com a sondagem, 53 por cento dos inquiridos está contra a construção do muro, enquanto 45 por cento apoia o projecto, aprovado por larga maioria no Senado em Setembro último.
O reforço do número de agentes dos Serviços de Imigração, outra das medidas da lei a ser assinada hoje por Bush, é defendido por 74 por cento dos inquiridos.
O estudo mostra que 58 por cento é a favor de pesadas multas para os empregadores de imigrantes sem documentação, mas apenas 34 por cento apoia a expulsão de imigrantes em situação regular.
O muro a construir na fronteira entre os Estados Unidos e o México é uma das poucas concretizações do debate alargado sobre a Imigração que mobilizou o Senado durante meses e que vai ser um dos principais temas da campanha para as eleições de 7 de Novembro.
A 29 de Setembro o Senado norte-americano aprovou por esmagadora maioria, com votos republicanos e democratas, a construção, até 31 de Dezembro de 2008, de um muro com 1.200 quilómetros de extensão, como forma de impedir a entrada de ilegais mexicanos no país.
Há três semanas o presidente norte-americano tinha assinado uma outra lei para financiar o projecto, orçado entre seis e oito mil milhões de dólares (4,7 e 6,3 mil milhões de euros).
Contudo, a verba inscrita na lei é apenas de 1,5 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros).
A sondagem foi efectuada entre 20 e 23 de Outubro junto de 1.013 pessoas, com uma margem de erro de três por cento.
Fonte: sapo.pt
Quando começou, há um ano, o grupo formado no Arizona por voluntários munidos de binóculos e visores noturnos limitava suas atividades a fiscalizar a fronteira entre os Estados Unidos e o México, e informar a Guarda da Fronteira quando avistavam imigrantes ilegais tentando ingressar ilegalmente nos Estados Unidos.
Mas desde que o movimento ganhou mais adeptos, o grupo dos guardiões da fronteira, conhecido como Minuteman, resolveu atacar em uma nova frente - a política americana.
Um de seus integrantes, Randy Graf, é candidato a deputado pelo Partido Republicano nas eleições de meio período do próximo dia 7 de novembro. Em sua plataforma, ele defende a adoção de medidas judiciais contra imigrantes ilegais que estão nos Estados Unidos e o fim de assistência médica e educacional aos imigrantes sem documentação.

Além da possibilidade de contar com um congressista identificado com sua causa, os 8 mil voluntários da organização também estão fazendo campanha por diversos políticos republicanos que defendem idéias semelhantes às do grupo.
"Já manifestamos apoio a 20 candidatos em diferentes estados americanos. E conseguimos recolher várias doações para eleger os políticos certos para o cargo. Acreditamos que veremos uma transformação no governo", disse Carmen Mercer, vice-presidente do grupo.
Segundo ela, o presidente da organização, Chris Simcox, está fazendo uma verdadeira maratona por diversos Estados americanos para participar de comícios e eventos de campanha.
'Fronteira segura'
Paralelamente à política tradicional, o grupo também visa chamar atenção para sua causa, a de tornar a fronteira americana mais segura contra a entrada de ilegais, através da construção de um muro em fazendas particulares situadas na divisa com o México.
De acordo com Mercer, a iniciativa se deu porque o grupo não quer esperar pela da construção da barreira "oficial" na fronteira entre Estados Unidos e México. O projeto de lei aprovando a construção do muro já foi aprovado pelo Congresso mas ainda precisa ser sancionado pelo presidente americano, George W. Bush.
A cerca entre os dois países deverá custar cerca de US$ 6 bilhões e terá cerca de mil quilômetros. Mas não há uma data prevista para sua implantação.
"Não podemos esperar mais. Se a barreira for construída, ela tenderá a dar certo, mas não sabemos quando e como isso irá acontecer. Por isso, estamos construindo o nosso próprio muro em propriedades particulares", afirma a vice-presidente.
"Cada vez mais fazendeiros estão se oferecendo, para que nosso muro passe por suas terras. O povo americano está farto. Somos contra as propostas de anistia a ilegais e contra o programa de visto provisório", diz ela, em menção a duas teses propostas pelo presidente Bush.
Vigilantes
Bush já afirmou ser contra a existência dos Minutemen e chamou-os de uma organização de 'vigilantes' (nos EUA o termo pode ter a conotação negativa de alguém que faz justiça com as próprias mãos).Carmen Mercer retruca: "Após os ataques de 11 de setembro, o presidente Bush disse que os americanos precisavam estar vigilantes para novas ameaças."
"É o que estamos fazendo, mas sabemos que o termo tem uma carga negativa. Somos seguidores da lei e nos últimos cinco anos já salvamos ao menos 250 vidas, ao darmos água e auxílio a pessoas que estavam perdidas há dias no deserto."
Mercer diz não ser contra imigrantes, apenas contra a presença de ilegais e contra uma fronteira, em seu entender, desguarnecida, que possibilita a entrada de terroristas em solo americano.
"Eu própria sou imigrante. Nasci na Alemanha e tive de esperar por dois anos até me tornar cidadã americana, em 1999. Não se sabe quem são essas pessoas que estão tentando permanecer aqui. Por isso, como podemos dar-lhes anistia? Um simples exame médico não dá conta, porque não sabemos que tipo de doença eles podem estar trazendo para cá."
De acordo com a ativista, os próprios americanos também são responsáveis pela atual situação e pelos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais que residem no país.
"Muitos grandes empresários nos Estados Unidos querem a contribuição dos ilegais. Só que eles os pagam por debaixo do pano e o ônus recai sobre o contribuinte americano. Uma vez que punirmos esses empregadores e fecharmos suas empresas, a situação também irá melhorar".
Atualmente, além das atividades políticas, o grupo segue com sua rotina habitual e está promovendo uma operação de 30 dias, prevista para ser encerrada neste sábado, na qual grupos de voluntários se revezam em operações de vigilância no deserto, durante as 24 horas do dia.
"Esta operação, além das manifestações que temos feito em frente a edifícios do governo, visa chamar a atenção para nossa causa e obrigar as autoridades a agir. Queremos promover uma pressão total sobre o governo e não iremos parar até conseguirmos o que queremos."
Se os eleitores do Arizona atenderem ao slogan de campanha de Randy Graf, "leve um Minuteman para o Congresso", o grupo pode estar dando um passo significativo neste sentido.
Fonte: acheiusa.com
Nogales, Arizona - Um dos principais temas da eleição de novembro nos Estados Unidos, o a da imigração, causou uma situação inusitada no Estado do Arizona, região sul do país.
No principal tema da campanha para governador no estado, a imigração, a plataforma que mais se aproxima da do presidente George W. Bush, é a da candidata democrata, partido que faz oposição ao presidente.

A atual governadora, a democrata Janet Napolitano, concorre à reeleição com um programa cuja política de imigração é semelhante à de Bush.
Seu rival, Len Munsil, um ativista conservador do Partido Republicano – o mesmo de Bush - é contra a política de imigração defendida pelo presidente e por um dos principais nomes de seu partido, o senador pelo Arizona, John McCain, cotado para ser o candidato presidencial republicano em 2008.
Bush defende a concessão de um visto de trabalho temporário, que daria a imigrantes o direito a trabalhar legalmente nos Estados Unidos por um período, mas não permite a conversão do visto em naturalização ou cidadania.
A governadora Napolitano é a favor do programa defendido por Bush e concorda com o presidente que o programa atende tanto aos imigrantes ilegais presentes nos Estados Unidos - estimados em cerca de 12 milhões de pessoas - como os interesses dos empregadores, que dependem da mão de obra estrangeira.
Muito flexível
Munsil considera que a proposta de Bush é demasiadamente flexível e que ela concede um indulto inaceitável a imigrantes ilegais. O candidato quer aumentar a presença de soldados da Guarda Nacional na fronteira do Estado com o México.
Bush e a atual governadora do Arizona compartilham da visão de que a mudança do status dado aos imigrantes minimizaria a necessidade de investir em reforços na segurança na fronteira. Os dois também concordam que o Congresso deve formular um amplo programa de reforma imigratória.
O republicano Munsil quer investir US$ 515 milhões em operações de segurança na fronteira. Napolitano diz que tal cifra seria demasiadamente onerosa para o Estado e quer que investimentos nesta área partam do governo federal. Munsil acredita que o Estado deve tomar medidas imediatas para conter os que tentam cruzar ilegalmente a divisa com os Estados Unidos, em vez de esperar ações do governo ou do Congresso.
Barreira
A governadora é contrária ao projeto de construir uma barreira de 1,125 quilômetros na fronteira entre os Estados Unidos e o México, apesar de seu Estado ser o principal destino de mexicanos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos.
No ano passado, 52% das detenções de 1,1 milhão de imigrantes que tentaram cruzar a fronteira foram realizadas no Arizona. Em 2005, agentes federais chegaram a prender uma média de 1.600 imigrantes ilegais por dia no Estado.
A governadora e o presidente divergem na questão da defesa da barreira, um dos raros tópicos relativos à imigração no qual Munsil e Bush têm posturas semelhantes. No início deste mês, Bush promulgou - justamente em uma cidade do Arizona, Scottsdale, no sudoeste do Estado - o projeto de lei que permite a construção da barreira entre os dois países.
Antes, o Senado havia aprovado a construção do muro. O projeto contou com aprovação de boa parte dos republicanos e até de destacados democratas, como a senadora Hillary Rodham Clinton.
Janet Napolitano diz que a barreira está fadada ao fracasso, pois "na hora em que se construir um muro de 15 metros, alguém irá construir uma escada de 15,5 metros".
Histórico
A governadora do Arizona conta com uma aprovação de 61% no Estado e, de acordo com uma recente pesquisa do Instituto Zogby, lidera a preferência dos eleitores do Estado por 51,3%, contra 41,1% de Munsil.
Munsil foi eleito o candidato republicano após ter obtido uma expressiva vitória nas eleições primárias do Partido Republicano no Arizona. Seu rival foi Don Goldwater, sobrinho de Barry Goldwater, ex-candidato republicano à presidência em 1964, conhecido por seu ferrenho anticomunismo e por uma plataforma contrária ao movimento dos direitos civis da década de 60.
Em uma ironia do destino, Don Goldwater se apresentou como o moderado na campanha, criticando Munsil por suas ligações com facções conservadoras do Arizona.
É justamente graças aos republicanos conservadores que Munsil acredita que será capaz de passar à frente de Napolitano. O candidato diz estar apostando em movimentos de base de seu partido que defendem ideais celebrizados pelo ex-presidente Ronald Reagan, como a defesa de valores tradicionais, familiares e religiosos.
Além de suas propostas contra a imigração ilegal, Munsil tem entre suas bandeiras o combate à proposta de legalizar o casamento entre gays no Estado, tema que será submetido a referendo no dia da votação de 7 de novembro, que vai eleger governadores e renovar parte do Senado e toda a Câmara dos Representantes.
O candidato acredita que sua plataforma poderá inflamar sua base de apoio e provocar um forte comparecimento republicano às urnas no dia 7 de novembro.
Fonte: Folha Online
O presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH), o mexicano Luis García de Alba, criticou hoje o plano dos Estados Unidos de construir um muro em sua fronteira com o México, para tentar conter o problema da imigração ilegal.
"Do ponto de vista dos direitos humanos, a construção do muro representa uma violação", afirmou De Alba.

"O muro traz de volta uma política excludente, de rejeição aos migrantes, e embora esteja inserido no contexto de segurança, termina reproduzindo uma forma de discriminação", afirmou.
O alto funcionário internacional disse que o CDH está preparando uma resolução sobre imigração, na qual abordará a construção do muro, que foi aprovada este mês pelo Congresso dos EUA.
Ele antecipou que, no mais tardar na próxima semana, apresentará uma resolução sobre os imigrantes e o combate aos traficantes de seres humanos, que incluirá também medidas para melhorar a situação dos detidos e fomentar o reconhecimento da contribuição dos imigrantes à vida econômica dos países de destino.
De Alba disse ainda que a resolução se aterá ao ponto de vista dos direitos humanos, pois, caso contrário, implicaria no questionamento à soberania do país e a seu direito de legislar em matéria de política migratória.
O presidente apresentou no México um panorama geral dos trabalhos realizados pelo CDH, dentre os quais destacou um relatório sobre o mecanismo de revisão da situação dos direitos humanos nos países-membros do CDH, que deve ser entregue em março de 2007.