Lembro que nas primeiras semanas após minha mudança recebi muitos e-mails pedindo notícias, fotos ou qualquer informações. Eu, que falo muito, me recusava a escrever: eu estava louca para contar tudo com detalhes, com entonação, com exclamações.
Há exatos nove meses, conjuguei milhares de vezes o verbo “skypear”. Obriguei, portanto, meu irmão a ter uma conta para que eu possa vê-lo, além de minha mãe e sobrinha. Lembro que pedi a vários amigos me adicionar – convenhamos, é muito mais fácil e interativo que trocas infindáveis de cartas eletrônicas.
O que me dava mais sodade, até então, era de ver as pessoas “se mexendo”, ver os rostinhos tão conhecidos de alguma forma perto de mim. Poder dizer algo e ter a resposta ou o comentário na mesma hora. Sorrir ou gargalhar, em vez que “hahaha” ou “hehe”. Mas hoje eu realmente entendi o que me fascina tanto no Skype ou qualquer outra ferramenta de comunicação online com vídeo: é só assim que a emoção pode ser correspondida, o silêncio fala tudo e relações sinceras perduram.
TT, não existe distância ou fato que não possa ser compartilhado pela web. Nossa conversa de hoje só perde para o brinde de outro dia no Barão de Itararé porque naquele havia mais felicidade.
Peço desculpas por estar fisicamente tão longe, mas sei que você entende minhas necessidades, que sabe que estou o tempo todo seguindo as pessoas queridas com a aquele aparelhinho celular que você tanto odeia não porque sou viciada em internet (ou sou?), mas porque morando em outro país ele é minha ponte, o caminho mais curto entre meu coração e todos as pessoas que estão nele.

Depois de participar do "Papo de Gordo" e ter o link para meu blog la, estou estimulada a atualizar esta página. Quem sabe os ouvintes do famoso podcast viram meus leitores fieis e me ajudam a construir esse espaco ou entao, o povo das agencias de "xoxomidia" me descobree comeca a me mandar varios brindes lindos! Este país é o mundo do tudo está pronto para o consumo. A infinidade de comidas feitas esperando por você na prateira do supermercado sera um capítulo a parte. Mas uma coisa que muito chamou minha atencao foi a manicure.
Eu sempre tive problemas com ir ao salão fazer cuidar de minhas unhas. O primeiro é que nao sou muito fã do falatório que rola por la e o segundo e que muitas vezes eu tinha plantão e meu tempo era excasso. Ir a manicure aos sábados era praticamente impossível. Aqui muitos saloes abrem aos domingos, mas eu continuo me recusando a usar esse dia tao precioso sentadinha por uma hora mais ou menos. No ultimo domingo eu poderia ter ido, mas preferi ver o documentario "Marley" no Lincoln Center (troquei sem pensar um segundo).
Voltando ao que estava pronto... Eu ja havia visto unhas de porcelana e de gel, mas este produto é realmente revolucionario. Alem de estar cortadinho e lixado, ja vem com esmalte! Escolha sua cor, destaque o plástico e that´s it! Você terá unhas para fazer bonito em qualquer lugar.
Isso não e uma propaganda ou post patrocinado, mas eu realmente adorei a ideia e a facilidade. Quando vi pela primeira vez peguei um vermelho e um branquinho para relembrar meus tempos de Renda, da Risqué. O vídeo oficial diz tudo. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=MqeP6IT1uJ8

Um dos fatores que me ajudaram a convencer o amigo (falei dele aqui) a me visitar no fim do ano aqui foi a neve porque, convenhamos, é glamour estar em NY com tudo branquinho.
Fui encontrá-lo no aeroporto, além de um cartaz lindão e minha felicidade, levei para ele o arsenal que incluia luvas, cachecol e toquinha - tudo para garantir que ele ficasse quentinho. Um dos primeiros comentários do visitante: "Aqui está mais frio que na Patagônia", ri por dentro pensando: "Ele não sabe o que o espera nesta semana inteira porque se nevar - aff...".
A semana passou rápida, sentia que os dias tinhas só 18, 16 horas porque não dava tempo de fazer quase nada da minha "singela" to do list. E nada da neve. Vez ou outra, ele me perguntava: "kd a neve?".
Duas semanas depois da partida dele, um monte de turistas desolados continua questionando. Mas se eu puder escolher essa pergunta será eterna.
Em Outubro, nevou do nada e, claro, virou notícia. Fiquei babando, tirei várias fotos, coloquei no Facebook, mostrei no Skype para minha sobrinha, tudo era tão lindo e romântico. Até a hora em que tive que sair de casa no fim da tarde.
Mesmo com casaco, luvas, cachecol, chapéu e botas, eu tremia. Pisava com força para não escorregar e a sensação que tinha era de que não usava nenhum calçado - comentei com uma amiga que minha bota devia estar rasgada porque meu pé estava molhado. Não, não estava, eu é que não usava o calçado ideal com solado de borracha (Ah! Agora eu sei!) O rosto sofreu com o frio e cada vez que eu respirava sentia exatamente o ar gelado. Lembrei do diário do baiano na Suiça.
Ontem a previsão de muito frio se confirmou e alguns termômetros marcaram -9°. De novo, senti frio ao sair na rua - o vento ainda me incomoda muito.
5 de Janeiro e nada de neve. Hora de pensar em outra desculpa para garantir a vinda da melhor amiga muito em breve.
Publicado originalmente em http://sheinnyc.wordpress.com