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Brasileiro que roubou 100 milhoes continua foragido

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November 6, 2010, 10:15 am
Crime
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Thales Maioline aplicou o golpe do investimento MMN

Newark, 4 de Novembro de 2010. Justiça mineira continua procurando o empresário Thales Emanuelle Maioline, de 34 anos, um dos donos da empresa Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros. Ele é investigado por estelionato, falsificação de documentos e falsidade ideológica e é acusado de ter dado golpe no valor de R$ 50 milhões em cerca de 2 mil pessoas que vivem em Belo Horizonte e mais 13 cidades do interior de Minas Gerais.

Maioline teve a prisão decretada por cinco dias, contados a partir de quando ele foi encontrado. O suspeito foi visto pela última vez em 23 de julho, ao deixar um hotel em São Paulo em direção ao Terminal Rodoviário Tietê. A mulher e o bebê de pouco menos de dois anos com quem o empresário morava na capital mineira foram deixados para trás e alegam não saber onde ele está. Mailione desapareceu levando todo o dinheiro da Firv. Segundo a polícia, ele também teria desviado os recursos das contas dos investidores para paraísos fiscais como Suíça e Panamá.

De acordo com o delegado Islande Batista, da Delegacia de Combate às Falsificações e Defraudações da Polícia Civil de Minas, a prisão foi decretada na sexta-feira e, desde então, há buscas por Maioline nas 14 cidades mineiras, mas sua foto e informações sobre o caso também foram encaminhados à Polícia Interestadual (Polínter) de São Paulo e dos demais estados para que ele seja procurado em todo o País. Além da capital mineira e de Itabirito, na Região Central de Minas, a polícia não divulgou quais são as outras cidades alegando que as investigações podem ser prejudicadas.

Apesar de não ter autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para operar na Bola de Valores, o empresário se apresentava como gerenciador de fundos de aplicação. Para atrair clientes, ele prometia rendimentos de até 5% ao mês, mais 11% a cada seis meses, índices bem superiores à média do mercado. A empresa oferecia cotas de R$ 2,5 mil a R$ 5 milhões e usava recursos de novos investidores para pagar quem queria resgatar as aplicações. Mas, segundo a polícia, a maioria das vítimas reinvestia o dinheiro, por causa dos altos rendimentos depositados nas datas combinadas.

O esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês. Esse dinheiro só seria devolvido ao cliente quando este fosse resgatado, mas a maioria reaplicava os valores em função dos altos ganhos. Ele também “dava” o incentivo de 11% a quem permanecesse por seis meses no fundo.

 

Extrato falsificado

Uma das “provas” que Thales apresentava aos investidores seria um extrato bancário mostrando as contas recheadas com R$ 97 milhões. “Ele dizia ter R$ 60 milhões em cash para nos pagar e ainda outros R$ 30 milhões para tocar a empresa, caso quisesse desistir do negócio.

Só agora sabemos que o documento era forjado. Por cima dos números verdadeiros do extrato, que já estava zerado, Thales teve o trabalho de colar falsos valores por cima. Ele teve a paciência de tirar 12 cópias até a falsificação ficar perfeita”, informa um dos investidores, amigo de infância de Thales, que levou cano de aproximadamente R$ 2 milhões.

Ele e mais dois consultores do Firv administravam perto de R$ 25 milhões, de um grupo expressivo de 40 investidores de grande porte de Itabirito que concentrava 50% do valor arrecadado pelo fundo de investimentos. “Não sei como fui cair nessa conversa. Meus clientes perderam tudo e eu já fui ameaçado de morte por três pessoas. Estou apavorado”, revela ele, com as mãos tremendo.

A polícia recebeu denúncia de pessoas que chegaram a largar o emprego para viver das aplicações e entre as vítimas estão donos de construtoras, de faculdades e de outros empreendimentos. Em ação proposta por uma dessas vítimas, a Justiça mineira já determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 60 mil do empresário e de seus sócios na Firv, a irmã dele, Ianny Márcia Maioline, e o ex-administrador Oséias Marques Ventura, que também afirmam terem sido enganados.

 

Sequestro?

Quando souberam do sumiço, a primeira hipótese que várias pessoas levantaram, em especial os familiares, as pessoas mais próximas e os empregados, era de que o homem havia sido seqüestrado. No entanto o tempo passa, e nada de supostos bandidos entrarem em contato pedindo algum resgate ou algo do tipo. Então pensaram na idéia de que poderia ser algum tipo de coação. Mas logo chegaram à conclusão de que esta hipótese não explicaria bem uma série de fatos. Então pensaram que o homem estava morto, que possivelmente o assassinaram numa espécie de emboscada.

Só depois de um tempo, quando se sabe da história do sumiço e como se deu os fatos é que as pessoas pensam que realmente pode ter sido um grande golpe. Está todo mundo desesperado e as ameaças acontecem todos os dias, tanto aos agentes quanto aos familiares deste rapaz. O pai, a mãe e a irmã, principalmente à esposa e à irmã que contratou um segurança particular com medo das ameaças.


Município de Vazante

Segundo um dos investidores em Vazante, cerca de 15 pessoas do município investiam na empresa, e o valor do prejuízo pode chegar a 1 milhão de reais. "Alguns colocaram dinheiro juntado por toda a vida.", disse um dos investidores de Vazante.

As últimas imagens do investidor mineiro foram registradas pela câmera da portaria de um hotel em São Paulo. Vestido de calça jeans e boné, ele teria pegado um táxi com destino ao Terminal Rodoviário do Tietê, por volta de 15h de sexta-feira. Antes disso, teria zerado as contas bancárias e desviado o dinheiro dos investidores para contas abertas em paraísos fiscais da Suíça e Panamá. No apartamento onde morava com a mulher e um bebê de 1 ano e sete meses, em Belo Horizonte, foram encontrados indícios de documentos forjados antes da fuga – a família foi deixada para trás e não sabe dizer sobre o paradeiro do investidor.

As informações constam do boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Civil de São Paulo, informando o desaparecimento de Thales a pedido da própria irmã, Ianny Márcia Maioline. Também a Polícia Civil de Minas e a Polícia Federal foram acionadas para investigar o paradeiro do empresário e o rombo nas contas. Antes de dar o sumiço, Thales teria passado a empresa para o nome dessa mesma irmã e do então administrador do fundo, Oséias Marques Ventura.

“Juro que não sabia de nada disso. Ofereço os meus telefones para rastrear as ligações. Perdi tudo o que eu tinha e estou sendo ameaçada com as minhas filhas”, afirma Ianny. Na companhia do advogado Marco Antônio de Andrade, a mulher foi a uma reunião convocada às pressas pelos investidores revoltados na sede da empresa, no Bairro Buritis, Região Oeste de BH. “Sei que o pai do Thales teve um infarto segunda-feira ao ver os e-mails do Thales, indicando os planos de fuga.

 

Reunião com Investidores e Funcionários

Uma reunião ocorreu na quarta-feira (28/Julho/2010), a portas fechadas, que ocorreu em clima de tensão com cerca de 30 pessoas, entre investidores e funcionários da empresa que também investiam no negócio. Na porta, dois seguranças particulares garantiam a integridade dos consultores da Firv, que, antes do calote, administravam cotas de R$ 2,5 mil a até R$ 5 milhões.

 

Atestado de bobo

O esquema de fraudes veio à tona depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia que fiscaliza as operações financeiras no país, soltou comunicado, em 26 de junho, informando que a empresa de Thales não estava apta a realizar esse tipo de operação. “Thales era o típico ‘gente boa’ e não tinha medo de nada. Quando os investidores ficaram a par da notificação, ele chamou todo mundo para o Ouro Minas (hotel de luxo da capital mineira) e disse que havia depositado R$ 1 milhão para transformar a empresa em S/A”, afirma o dono de uma construtora, que não quer ser identificado.

“Não vou dizer o meu nome porque passaria um atestado de bobo por ter caído nessa conversa. Fui iludido todo esse tempo”, desabafa o empresário. Ele amarga prejuízo de R$ 1,8 milhão, depois de passar meses recebendo dividendos de R$ 10 mil a R$ 30 mil, depositados na data certa, religiosamente.

 

Alerta do Procon de Itabira

O Procon de Itabira já havia alertado sobre o risco. Mas não adiantou. A estimativa é que cerca de mil, dos 2 mil lesados pelo golpe do empresário Thales Emanuelle Maioline, 34 anos, controlador da Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros, sejam de Itabira.

Diversos investidores procuraram orientação junto ao órgão de defesa do consumidor quanto à viabilidade de aplicar seus recursos no fundo, que prometia rendimentos de 5% ao mês, bem acima da média de mercado. A orientação do Procon, no entanto, sempre foi a mesma: fugir da cilada. O órgão já suspeitava do empresário e estava juntando documentos. Segundo seus levantamentos, a Firv não possuía credenciamento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Não poderia, portanto, atuar no mercado.

Mesmo assim, mil itabiranos, entre empresários e trabalhadores que vendem hora, confiaram seus investimentos ao “Clube dos Vencedores” e acabaram vítimas.

O Procon-Itabira também foi o primeiro a tomar providências legais junto à CVM, à Bovespa e à Polícia Civil, depois de suspeitar de irregularidades. Thales Maioline já havia inaugurado um escritório em Itabira e feito reuniões com investidores da cidade. Tudo entre os meses de junho e julho deste ano.

De acordo com o secretário executivo do Procon, Leonardo de Almeida Oliveira, no dia 8 de junho ele enviou solicitação à CVM e à Bolsa de Valores. As respostas vieram nos dias 21 e 22 de junho respectivamente. Também foi no dia 21 de junho que a CVM abriu processo para investigar as possíveis irregularidades da Firv Consultoria.

A partir de então, o Procon começou a instruir os investidores que há haviam feito aplicações a resgatar o dinheiro, antes que fosse tarde demais. Mas eles preferiram confiar. Leonardo explicou que, enquanto tinha pessoas investindo, a Firv mantinha o pagamento dos rendimentos aos clientes com mais tempo de casa em dia. Mas quando parou de entrar novos recursos, ou uma pessoa quis fazer um grande resgate, o sistema quebrou.

Uma audiência foi marcada com a Firv no dia 13 de junho, data em que o empresário Thales Maioline compareceu ao Procon-Itabira com seu advogado. Na ocasião, diante das informações que o órgão itabirano tinha, o advogado negou que a empresa estivesse em funcionamento. Embora ciente do contrário, o Procon não tinha provas – pois nenhum investidor orientado quis dar depoimentos ou ceder documentos ao órgão.

Itabira foi uma vítima importante, segundo Leonardo, porque é uma cidade fértil, com muitos funcionários da Vale e pessoas com poder de investimento. Agora, o processo administrativo (investigação preliminar) será encaminhado também ao Ministério Público para que as providências sejam tomadas. Como investidor não é consumidor, o Procon fica limitado de agir com mais profundidade.

A orientação do órgão, agora que o golpe está executado, é que as vítimas tenham calma, juntem todos os documentos que comprovem os investimentos feitos e procurem a justiça ou aguardem novas manifestações dos próprios organismos de defesa, já que a situação tomou uma proporção nacional

 

O esquema Firv e os passos da investigação

  • "Clube dos Vencedores". Thales Maioline atraiu, segundo a polícia, cerca de 2.000 investidores para um fundo com a promessa de rendimentos de 5% ao mês e bônus semestral de 30%. O esquema funcionou até que um investidor solicitou o saque de R$ 3 milhões.
  • Desconfiança. Em 23 de junho surgiu o primeiro indício de irregularidade, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que a Firv e seus donos não tinham autorização para atuar no mercado.
  • Desaparecimento. Depois que o investidor teve sua tentativa frustrada de sacar o dinheiro, outras vítimas foram avisadas do sumiço de Thales e procuraram a polícia. Ele foi visto pela última vez em 23 de julho, no Terminal Tietê, em São Paulo.
  • Inquérito. No dia 28 de julho, o Departamento de Investigações de Crimes contra o Patrimônio abriu um inquérito para apurar o golpe milionário.
  • Mentor. Thales Maioline, que detém 90% da Firv, é considerado pela polícia o responsável pelo esquema. Seus sócios, a irmã Iany Maioline e Oséias Ventura, dizem que também são vítimas do golpe.
  • Reforço. Em 30 de julho, a Polícia Federal entra no caso. As fronteiras do Brasil e uma possível emissão de passaporte em nome de Thales são monitoradas.
  • Ações. Justiça determinou o bloqueio das contas da Firv, de Thales e dos sócios. O bloqueio na esfera criminal é determinado em 1º de agosto. No dia 5, o Tribunal de Justiça ordena o bloqueio de R$ 60 mil da Firv e dos sócios. Em 6 de agosto, a Justiça decreta a prisão do empresário.
  • Depoimentos. A polícia já ouviu mais de 200 depoimentos, entre vítimas, sócios e funcionários da Firv, além do motorista que levou o empresário a São Paulo.

 

 

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 Fontes: Estadão, Folha de São Paulo, De Fato Online, Jornal o tempo

Author: Joao Vianna
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Saturday 06 November 2010
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